Alerta máximo: El Niño tem 81% de chance de atingir força extrema

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El Niño tem 81% de chance de atingir intensidade muito forte e acende alerta para eventos climáticos extremos

Fenômeno registrado desde junho segue evoluindo em julho, com previsão de fortalecimento e possíveis impactos no clima durante o segundo semestre.

Chuvas intensas, tempestades mais severas, ondas de calor e períodos prolongados de estiagem.

Esses são alguns dos efeitos esperados durante a atuação do El Niño, fenômeno que agora tem 81% de probabilidade de atingir intensidade muito forte, segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).

A previsão acende um alerta para diversos setores da economia, especialmente o elétrico, que precisa se preparar para um cenário de eventos climáticos mais extremos e frequentes.

Segundo Ana Paula Paes, meteorologista e consultora da Energisa, os impactos deverão variar conforme a região do país.

No Sul, a tendência é de aumento das chuvas, com maior ocorrência de temporais e eventos de precipitação intensa.

Já no Norte e Nordeste, o cenário favorece períodos de estiagem mais prolongados e secas severas.

No Sudeste e Centro-Oeste, espera-se uma combinação de ondas de calor mais frequentes e intensas, além de maior potencial para tempestades severas, rajadas de vento e elevada incidência de descargas atmosféricas.

Antecipar para reduzir impactos

A operação de uma distribuidora de energia começa muito antes de qualquer ocorrência em campo. Ela resulta de um planejamento contínuo que envolve monitoramento da rede, gestão de ativos, inteligência operacional e preparação das equipes.

Nesse cenário, a previsão do tempo tornou-se uma variável estratégica crucial.

Diante de eventos climáticos cada vez mais intensos, as distribuidoras do Grupo Energisa — presentes em 11 estados — vêm aprimorando seus modelos de prontidão com meteorologia, ciência de dados, inteligência artificial, protocolos de contingência e comunicação de crise.

Esse aperfeiçoamento reflete a crescente influência do clima sobre o sistema elétrico.

Entre 2023 e 2025, uma parcela significativa das ocorrências nas concessões do Grupo esteve relacionada a fenômenos climáticos, sendo que cerca de 60% delas foram causadas por raios.

Essa integração climática não é novidade: há anos a Energisa considera riscos meteorológicos em seus planos de contingência.

Contudo, diante da severidade das ocorrências recentes, o trabalho ganhou ferramentas robustas de monitoramento e antecipação.

Alertas meteorológicos, históricos de danos, mapas de vegetação e áreas expostas a ventos, queimadas ou alagamentos fundamentam ações como reforço de equipes, deslocamento preventivo de materiais, manutenções prioritárias e comunicação antecipada com clientes e autoridades.

“O clima passou a ser uma variável crítica para a operação do sistema elétrico. Hoje, as distribuidoras precisam antecipar cenários, monitorar riscos e responder rapidamente a eventos que podem afetar milhares de clientes em poucos minutos”, afirma Gioreli de Sousa Filho, vice-presidente de Redes do Grupo Energisa.

Essa adaptação exige respostas customizadas para cada região.

No Centro-Oeste, o foco está na estiagem e nas queimadas; no litoral do Nordeste, na maresia e no calor severo.

Na região Norte, o fenômeno provoca redução das chuvas e aumento das temperaturas, resultando em secas severas, queda no nível dos rios e maior risco de queimadas e incêndios florestais na Amazônia.

Já no Sul, parte do Sudeste e parte do Centro-Oeste, mais sujeitos a tempestades e raios, a prioridade é reduzir o tempo de interrupção do fornecimento.

Grupo Energisa

No Grupo Energisa, essa estratégia é coordenada pelos Centros de Operação Integrada (COI), que cruzam informações operacionais e meteorológicas em tempo real.

Assim, é possível mapear vulnerabilidades, posicionar equipes preventivamente e organizar planos de ação antes mesmo da chegada de tempestades ou frentes frias.

A análise acompanha inclusive fenômenos de grande escala, como o El Niño, cujos impactos variam entre seca e chuva extrema conforme a região. “O desafio não é apenas restabelecer o fornecimento depois de um evento climático. É chegar antes, com equipes, protocolos e informações preparados para reduzir o impacto sobre a população. Quanto maior a capacidade de antecipação, mais eficiente é a resposta”, destaca Gioreli.

A integração entre tecnologia e campo também é vital durante as ondas de calor.

Em períodos de temperaturas elevadas, o consumo dispara, pressionando a demanda e exigindo o monitoramento em tempo real, sobretudo em grandes centros urbanos.

Se antes a confiabilidade do sistema dependia da robustez dos ativos físicos, hoje ela exige a capacidade de interpretar riscos e mobilizar recursos de forma coordenada.

A resiliência é o resultado de combinar infraestrutura, inteligência de dados e agilidade operacional. “Mais do que distribuir eletricidade, nosso desafio é combinar tecnologia, proximidade e transparência para garantir um sistema resiliente em um ambiente onde o clima se tornou central para a operação”, finaliza o VP de Redes.

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